Por que gosto de ler livros?
Não sei o porquê, mas desde criança sou fascinado pelo objeto livro. Primeiro, o encantamento visual, próprio da infância. As cores, tamanhos, cheiros etc., tudo isso me despertava a curiosidade. Mais adiante, a sensação gostosa de juntar letras, formar sílabas que formavam palavras que ganhavam um significado especial quando se uniam numa frase. Era algo mágico pra mim.
Com os livros infantis, aprendi a significar imagens e contextualizá-las. Texto e imagem me falando o mesmo sobre a menina que caminhava pela floresta para visitar sua avó que estava doente, sobre os perigos da “floresta”, sobre lobos malvados e famintos, sobre porquinhos construtores, sobre um boneco de madeira que o nariz crescia a cada nova mentira que contava e sobre uma família de ursos que tomava mingau (esse eu li para um dos meus sobrinhos e fui chamado de papai urso por muito tempo). Seres que ficavam rondando meus pensamentos e alimentando meu desejo de conhecer novas históras.
Com o tempo a leitura foi se tornando um hábito prazeroso. Aprendi que alguns livros infantis queriam nos dizer mais do que estava escrito ali. A famosa “moral da história”, sempre escondida nas entrelinhas das fábulas que eu lia. Fui, aos poucos, entendendo que as histórias podiam nos apontar um caminho novo, uma forma nova de perceber as coisas.
Depois, na adolescência, fui “trabalhando” o significado de amizade e solidariedade, presentes em histórias sobre garotos(as) que se aventuravam ao longo da Coleção Vagalume. O amor, o ódio, o medo e, principalmente, o mistério que aumentava a cada página, além de me transportarem para um mundo diverso do meu, sempre me faziam querer ler mais e repetir a sensação de me colocar no lugar do outro para tentar entender os seus sentimentos. Como eu reagiria numa situação semelhante? Eu vivi aventuras alucinantes sem sair do lugar.
Nesse ponto, conheci um grande aliado da leitura: o “amansa-burro” ou “pai dos burros”. Provavelmente, o Dicionário tenha outro apelido carinhoso na sua região. O fato é que ele me socorria em momentos cruciais da leitura.
Eis outro ponto positivo dos livros: à medida em que aumentava o grau de “dificuldade” da leitura, mais fácil o próximo livro se tornava para mim. Paradoxal, não? Porém, um fato incontestável. As incontáveis consultas ao dicionário triplicaram o meu vocabulário.
Na fase adulta (cronologicamento falando), mantive o contato com os livros. A única coisa que mudou foi o tipo de leitura e o tamanho das fontes dos livros, muito bem observado por Luis Fernando Verissimo na crônica ABC (p. 113-115).
“À medida em que a gente ia crescendo, as letras iam diminuindo. E as palavras, aumentando. Quando não se tem mais uma visão de criança é que se começa, por exemplo, a ler jornal, com seus tipos miúdos e linhas apertadas que requerem uma visão de criança. Na época em que começamos a prestar atenção em coisas como notas de pé de página, bulas de remédio e subcláusulas de contrato, já não temos mais metade da visão perfeita que tínhamos na infância […]”VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se Ler na Escola. Rio de Janeiro: Objetiva; 2001.
Nada disso diminuiu a minha vontade de ler. Nem mesmo a falta das figurinhas coloridas.
Afinal, por que eu gosto de ler livros?
Porque a cada livro alimento meu cérebro e enriqueço com a experiência do outro, seja o autor ou as personagens.
Porque a cada nova história exercito minha imaginação, buscando entender o que a personagem está sentindo, o que eu sinto em relação a isso e, em alguns devaneios, o que o autor sentia ao escrever.
Pela busca do conhecimento e autoconhecimento adquirido através dessas reflexões.
Pelos momentos de prazer que a leitura oferece e a plena sensação de liberdade.
Pelos sentimentos que um bom livro desperta. Seja de alegria, tristeza, solidão, solidariedade, compaixão, saudade...
Acredito que a pessoa que lê nunca está só. Sempre haverá um Quixote a nos fazer rir, chorar ou sonhar…
Porque ler me transporta para um mundo onde nada é impossível e, ao final, sempre me torna um pouco melhor do que eu sou.
Aqui tem mais:
Pensou que eu havia esquecido de explicar o motivo de escrever novamente sobre o assunto? Enganou-se redondamente!
O que me motivou foi um post do @Alessandro_M (Alessandro Martins – autor do blog Livros e Afins), convidando os autores de blog a escrever sobre os motivos pelos quais gostam de ler.
Confira os posts que já foram publicados: “Por que gosto de ler livros? Respostas”Esse post faz parte da “Blogagem Coletiva: por que gosto de ler livros?”, do blog Livros e Afins.
E você, gosta de ler? Deixe o seu comentário sobre o que o motiva a ler.
Até breve.





Olá Max!
Amei o texto. É verdade, quem lê, nunca estará sozinho. A leitura amplia nossos horizontes, diversifica nosso pensamento. E isso é bom demais.
Bjssssss
Oi, Marli
Que bom que gostou do post. =)
Ler é bom demais mesmo! Fico feliz quando encontro outras pessoas que também gostam e compartilham suas impressões.
Muito obrigado pela visita. Sinta-se à vontade sempre que voltar aqui.
Bjs
Oi Max,
Muito legal a iniciativa...gostei do texto. Eu tb gosto muito de ler, pena que ultimamente minha vida não anda "deixando muito" eu continuar cultivando o antigo hábito da leitura...mas eu sinto falta de ler bons livros...=/
Acredita que ainda não consegui terminar de ler o Simbolo Perdido? [AA]
Abçs
Também adorei o post!!Se leio, logo sou feliz! Ah! Em breve seus dois livros voltarão para o doce lar. Um eu já li, o outro, tenha um pouco mais de paciência...rs. Beijos da Lule.
Fico feliz que tenham gostado do post, gurias!
@dark_clau
Eu não consigo ficar muito tempo sem ler livros. Se não tenho livro novo, releio algum que anda por aqui.
Quanto ao Símbolo Perdido, tu não terminou e eu nem comecei a ler. hahaha
É do Dan Brown, né? Desse autor eu só li O Código da Vinci e Anjos e Demônios. Os outros conheço apenas pelo nome, mas ainda vou ler. =)
Lule,
Lehr traz felicidade sempre. (esse "H" é piadinha interna).
Ainda bem que tu falou que são 2 livros. Só lembro de um. Por isso que alguns não voltam. Acabo esquecendo pra quem emprestei...rs
Leia a seu tempo. Não tenha pressa. Saboreie a leitura.
Obrigado pela visita e pelo carinho de vocês.
Bjs
Oi Max! Ler realmente é uma delícia! Sinto muito por aqueles que ainda não conseguiram descobrir este prazer...
Ótimo texto! Bjo!
Oi IsaBele,
Verdade. Mesmo que cada um tenha suas preferências de diversão, tenho certeza que essas pessoas se surpreenderiam com a descoberta de um bom livro.
Obrigado pelo carinho!
Bjs
Valeu pela participação! Gostei do fato de ter contado um pouco de sua história como leitor. Convido-o à nova blogagem coletiva. Desta vez o tema é Meu Personagem Favorito de Livro: http://migre.me/3TwQ1
Se puder participar novamente, será muito bem-vindo!
Alessandro,
Gostei muito de participar da Blogagem Coletiva do Livros e Afins e, também, achei a sua ideia sensacional.
Será uma honra participar.
Obrigado pelo convite e pela visita.
Abraços
Max,
Jeito gostoso de escrever vem daquele que sabe bem degustar um boa leitura. Você sabe dizer. Cativa leitor. Impregnação de Saavedra. Só podia ser! Contribuo aqui com o pensar de Barthes, "ler é desejar a obra, é pretender ser a obra...", coisitas de quem adora ler livros, meu caro amigo Max! Belo post!!
Maria (bem que poderia ser @rociorodi)
Bondade sua. Quem dera estar impregnado de Saavedra e, como ele, escrever algo pra eternidade. Quem sabe o segundo melhor romance de todos os tempos, já que ele escreveu o melhor (Dom Quixote). Pra quem ama livros, seria um sonho ser lembrado pelas palavras impressas.
Obrigado pelo carinho nas belas palavras e pela constante contribuição ao blog.
Abraços!
Sei querido Mestre das boas conversas virtuais, sua rede de amigos virtuosos cresce, hem? Após tempo de pesquisa estarei participando desse outro ambiente social.
Quem gosta de Miguel fica íntimo das palavras, afinal é considerado o melhor romance e as influências são mágicas, multiplicam sabedorias e afetos. É a melhor propaganda, boca a boca, sentimento a sentimento, perspectivas a perspectivas...
Não são belas as palavras, muito mais bela é a interpretação!!! Amplia horizontes. O leitor entra com mais de 50% e ressignifica o discurso e "nosso" imaginário.
Beijinhos leitores! (rsrs)
Maria
A intimidade com as palavras é algo que, acredito, será uma busca constante em minha vida.
Vou te cobrar, ao menos, que experimente esse outro ambiente social (twiiter). Tenho certeza de que também ampliará seus círculo de amigos virtuais e virtuosos ;D
Bjs
Ler pra mim é um dos grandes prazeres que existe, desde antes de saber ler, quando pegava os gibis do meu pai e "fazia de conta" que lia (pra mim era um sinal de status, como outras crianças fingiam dirigir, fumar, enfim, imitar os adultos); de quando folheava as enciclopédias do meu pai e ficava endoidecida com mapas, bandeiras, bichos que tinham ali ilustrados; das coleções de literatura que folheava na casa da minha tia( como eu queria eles pra mim, um objeto de desejo, com grossas capas vermelhas e letras douradas); da sensação de "ser grande" quando li meu primeiro livro sem figuras, ainda lembro, "Gafanhotos em Taquara-póca"; das horas do recreio "perdidos" na biblioteca da escola...Leio com prazer e por prazer. Quase fico triste quando acabo um livro que tenha gostado muito, sinto saudades dos personagens, crio uma intimidade com eles, faço parte das suas histórias.
Max, será que a gente é tão amigo por que lemos os mesmos livros? Também li a coleção Vaga-lume...rsrsrs
Somente uma observação: devolvi os livros emprestados sim, e não foi comigo que deixaste o Jardim do Diabo, não foi mesmo...kkkk
Bjs
Amo-te.
CaroLinda
Que bom te ver por aqui!
Parece que me vejo no teu comentário. Também tenho muitas dessas lembranças. Que sensação maravilhosa nos causa uma boa leitura!
Quanto ao "Jardim do Diabo", sei que não está contigo. A prova disso é que tu me devolveu livros que eu nem sabia que estavam contigo. Acho que vou ter que contratar o Sherlock Holmes pra desvendar o "Caso do livro perdido".
Somos amigos também por isso, mas temos muitas outras afinidades que nos unem desde sempre. \o/
Também te amo!
Bjãozãozaço...
hein, Magrão... Anota quando levam os livros e risca quando voltam... Assim, não ficarás perdido sobre o que emprestas e com a "tua" biblioteca e coração mole, é a única saída... E tenho dito.
@anônimo
Tens razão. Já tentei fazer isso, mas sempre esquecia de anotar. Porém, é uma boa solução.
Obrigado pela visita.
Abraços
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